Sociologia da dádiva

Presentes

Sociologia da dádiva

Já pediu seu presente de Natal para o Papai Noel? De quantos amigos secretos você vai participar nesse ano? E as reuniões com os amigos para celebrar o final do ano? E as mensagens de Natal e Boas Festas, já pensou como serão seus cartões, virtuais ou físicos?

O ano vai fechando e as expectativas para um ano novo vão se construindo com novos e/ou antigos sonhos, desejos e esperança de dias melhores! É tempo também de se voltar para os sentimentos de partilha, reconhecimento, bondade, com os quais a publicidade se encarrega de sensibilizar os corações, incentivar o dar e receber, o carinho, o olhar para o outro, cumprindo seu papel de alavancar as vendas para o comércio.

É interessante perceber que as campanhas de natal que se voltam para o outro têm marcado iniciativas e contado com a adesão de muitas pessoas… Campanhas como, o Natal sem Fome, doação de presentes para crianças, arrecadação de alimentos para certas comunidades, pessoas que distribuem presentes ou alimentos na noite de natal a moradores de rua, pessoas que levam alegria à crianças internadas em hospital, campanhas de adoção de idosos, de animais…

Essas iniciativas caracterizam a ideia de dar , receber e retribuir como elemento humano, bem como a inter-relação, o convívio e a generosidade, a dádiva. Essa última, foi estudada por Mauss (2003 ) sociólogo, que explica que
O entendimento do sentido sociológico da dádiva quebra esta dicotomia para introduzir a ideia da ação social como “inter-ação”, como movimento circular, recebido e retribuído, o qual interfere diretamente tanto na distribuição dos lugares dos membros do grupo social como nas modalidades de reconhecimento, inclusão e prestígio.

De acordo com o Mauss, que investigou a relação da dádiva nas sociedades, ele concluiu que a dádiva perpassa as sociedades tradicionais e modernas, com diferentes tipos, que ora se fundam em relações mais hierarquizantes, ora em manifestações mais democratizantes, mas que têm em comum os fatos sociais, que “inclui todos os fenômenos humanos de natureza econômica, cultural, política, religiosa, entre outros, sem haver nenhuma hierarquia prévia que justifique uma economia natural que precederia os demais fenômenos sociais., trocas de caráter interpessoal e de um sistema de reciprocidades”.

Os estudos de Mauss nos remetem ao sentido mais pleno da humanidade, a relação interpessoal, as trocas e a gratidão. Sabemos da nossa dificuldade de atuar na perspectiva do outro, em vista de um modelo social que valoriza o indivíduo e a competição . Mas cabe a cada um de nós, à família, à escola e demais instituições formativas, despertar nas crianças e adultos, ações que valorizem a interrelação, a cooperação, contrapondo práticas atuais de caráter mercantil.

Em favor de um mundo mais cooperativo, temos acompanhado mudanças nas relações de trabalho que vem resignificando as formas de dividir tarefas, os espaços , visando o compartilhamento de ideias , de posições menos hierarquizadas e de práticas laborais mais amplas.

Nesse cenário que está se desenhando, fiquemos atentos aos novos paradigmas, entendendo que as relações interpessoais estão em foco, nas chamadas de competências socioemocionais.

 

Referência:

https://journals.openedition.org/rccs/954