Quando o outro importa…

Empatia

Quando o outro importa…

O mundo do Coronavírus escancarou as diferenças, as fragilidades de governos e de nações, as dificuldades de todos os povos, numa velocidade rápida, que atingiu  todos os campos da vida social: Privada e pública.

Diante dessa crise mundial, nos deparamos com uma percepção de que estamos todos no mesmo barco, no que diz respeito à necessidade de colocar a humanidade em primeiro plano, de cuidar das pessoas, de ajudá-las a viver melhor e de lutar por condições mais justas e dignas, porque elas importam…

Conflitos e movimentos de contestação estão ocupando as ruas e as redes sociais…

E outros movimentos também vêm ocupando esse lugar… As ações de solidariedade e de empatia por parte de empresas, de alguns governos, movimentos coletivos, até mesmo ações individuais, se intensificaram. Estratégia? Reação? Impulso? O fato é que estão trazendo resultados e expressam sentimentos como o de pertencimento. A mobilização para amparar e ajudar os outros, como os que vivem em situação vulnerável, outros com diversos tipos de fragilidades. A filha, que se torna “assistente de educação infantil” – entre aspas, mesmo, enquanto ajuda a mãe, que nunca precisou usar um computador para dar suas aulas, a se reinventar…

Nesse período, acompanhamos empresas aproveitando matérias-primas para produção de outras coisas, passando a confeccionar equipamentos para médicos e enfermeiros, produzindo respiradores; pessoas se mobilizando para coletar alimentos para outras, transportadoras fazendo frete coletivo e, algumas vezes grátis, para pequenos empresários; vaquinhas virtuais; a renda oficial do governo para os desempregados, enfim… Um verdadeiro sentimento de olhar para o outro e perceber a importância de colaborar e manter a vida humana, renovar a autoestima do outro.

Mas fica uma dúvida: Será que esse movimento vai continuar? Será que as pessoas continuarão comprometidas com as outras? Esse sentimento de empatia terá repercussão em políticas públicas voltadas para o acesso ao emprego, saúde, educação, ultrapassando as políticas assistenciais?

Muitas lutas históricas ganharam uma repercussão maior, ou, talvez, mais visível.

Com o isolamento social, ficamos mais atentos? Ou refletimos mais ao assistir essas ações com mais frequência, durante a breve pausa que a Pandemia provocou em nossas rotinas?

A empatia é um sentimento próprio dos humanos que convivem em sociedade, mas, como muitas habilidades que temos, precisa ser desenvolvida. Essa crise mundial veio nos mostrar como precisamos cuidar mais e melhor das pessoas. Assim como, precisamos cuidar mais e melhor da gente mesmo para estarmos prontos para cuidar do outro.

O mundo está vivendo um de seus momentos mais difíceis, dos últimos cem anos, ao ter que lidar com a pandemia do coronavírus, que se espalhou em velocidade rápida por todos os países.

Jamais, pelo menos, em tempos que não nos lembramos, a percepção de que pertencemos a uma única humanidade gritou tão forte diante de nós. Pela primeira vez as gerações atuais puderam assistir o fechamento de fronteiras nacionais apenas como protocolo de proteção à saúde das pessoas. Afinal, moramos todos em um mesmo planeta azulado.

Estamos lutando contra o tempo, aprendendo juntos a combater a disseminação do Coronavírus e, mais do que nunca, nossas competências socioemocionais estão sendo colocadas à prova nesse contexto de crise. Desenvolver e exercitar a empatia nos ajuda, mutuamente, a lidar com a insegurança, com a ansiedade, com o medo, com o isolamento, e com as indefinições que uma mudança abrupta de rotinas apresenta para nós.