O poder das pequenas coisas

O poder das pequenas coisas

O poder das pequenas coisas

Há momentos na vida que sentimos necessidade e desejo de mudar alguma coisa em nós. Não apenas mudar de lugar, de trabalho, conhecer novos amigos ou trocar os objetos de lugar. Algo mais interno, por dentro… um sentimento, um modo de encarar a vida, ou adquirir uma habilidade ainda pouco frequente no nosso repertório.

Estamos falando de algo verdadeiro, que tem a ver com algo que nos mobilize, nos faça feliz. Por isso, esse desejo não nasce de repente, ele vem sendo germinado, aparece com frequência na nossa mente, não é uma coisa passageira. Geralmente decorre de situações com as quais estamos esbarrando no cotidiano, nos defrontando… parece discreto, porém, é algo inescapável!

No entanto, quando a gente se dá conta, não basta tomar a decisão “vou mudar”, porque isso não garante a concretização da mudança como se fosse algo fácil e rápido! É lento… processual, e possível!

A tal motivação, é essencial para mobilizar e trilhar os caminhos, começa imperceptível, mas precisa ser percebida como um ponto de partida e ir além. Os esportistas são bons exemplos para observarmos esses pequenos movimentos e até onde podem nos fazer chegar! Eles usam da persistência, da tenacidade – habilidades necessárias para compreender que precisam começar aos poucos e continuar buscando resultados e desempenho cada vez melhores.

Nesse sentido, o atleta Joel Moraes, relata sua experiência no livro: Esteja, viva, permaneça 100% presente:

Por isso, uma grande lição que tive como atleta é não depender apenas de motivação. Ela não é confiável. Ninguém precisa esperar até se sentir cheio de vontade para começar alguma coisa – nem para continuar. Aja imediata e regularmente… que a motivação virá. Mas também não dependa dela para continuar…

Joel comenta também da importância de valorizar os pequenos passos, são eles que nos impulsionam a seguir em frente. Veja os conselhos desse atleta:

Em vez de decretar “eu quero isso”, reflita se está dando um passo nessa direção – um passo pequeno por vez e de maneira frequente, e não um passo enorme, que cansa por exigir muito esforço e energia num curto espaço de tempo. Em vez de querer várias coisas por dia, coloque seu foco em apenas uma.

Outro lado importante para sustentar o efeito dos pequenos passos é o apoio dos amigos, ou seja, a gente deve evitar estar sozinho/a nessa tarefa. É essencial participar de uma comunidade de pessoas que estejam investindo na mesma empreitada que você, de modo que seja possível acompanhar os passos de cada um e se sentir parte dos avanços, erros e recuos, como elementos naturais desse processo.

Sobre este aspecto, Zygmunt Bauman, faz o questionamento a seguir

Como se pode lutar contra as adversidades do destino sozinho, sem a ajuda de amigos fiéis e dedicados, sem um companheiro de vida, pronto para compartilhar os altos e baixos?

Considerando que estamos falando de pessoas, seres humanos, e não de máquinas programáveis, conseguimos entender esse movimento em sua complexidade, pois isso precisa ser trabalhado suavemente em nossas vidas. Segundo o professor José Moran, precisamos

…dar-nos apoio incondicional mesmo quando retroagimos, O apoio afetivo é fundamental para não esmorecer. E retomar sempre nosso processo de mudança, como um lento cerco que fazemos às muralhas com que nos defendemos…

E nesse cenário de viradas, buscas, renovação, reinvenção de nós mesmos, encontramos a força motriz para viver o Ikigai (em japonês: 生き甲斐), que os japoneses caracterizam como a busca de si mesmo, a razão da existência, que é diferente para cada pessoa.