Juventudes e Gerações

Juventudes e Gerações

Duas maneiras de entender essa fase de transição da infância para o mundo adulto.

Oxigenar as relações sociais, familiares, estudantis, profissionais e de consumo à luz dos estudos sobre esse grupo social, os jovens, é uma forma de contextualizar e assimilar os movimentos de mudança que eles provocam.

No entanto, é necessário clarificar que juventudes e gerações são construções diferentes que utilizam distintos referenciais de análise para se compreender os jovens.

Segundo a sociologia da juventude, o estudo por gerações considera suas faixas etárias, idades, interesses, visão de mundo, portanto um viés biológico, que perpassa toda uma relação cultural e sociológica, com suas características ou traços comuns aos seus tempos e componentes. Tem como objetivo, compreender como o jovem incorpora esses valores.

Já o estudo de juventudes, trabalha com a heterogeneidade que marca os diferentes grupos de jovens, face à sua diversidade quanto à visão de mundo, inserção social, atitudes e comportamentos, como reforça Raquel Lima:

“A diversidade do “ser jovem” nas sociedades modernas nos coloca o desafio de compreender tal fenômeno em suas múltiplas dimensões. Dessa forma, é necessário relativizar definições que tratam a juventude como sendo uma mesma experiência vivida por todos” – https://labjuv.wordpress.com/2013/07/16/boletim-07-a-sociologia-e-o-conceito-de-juventude-duas-perspectivas/

Nós, da equipe do Tem lugar para mim?, observamos tanto o campo das gerações, como os estudos de juventudes, uma vez que nosso projeto atua com jovens de diferentes trajetórias sociais e, também, pretende entender como as marcas desses tempos traduzem as suas subjetividades e a construção de seus futuros.

As pesquisas sobre Juventudes com base nas diferentes gerações impulsionam estudos cada vez mais frequentes para se entender os movimentos, as formas de agir e de pensar na intenção da construção de políticas públicas e de inovação nos processos corporativos das empresas.

Não por acaso, este é o campo de estudos pelo qual as empresas de tendências buscam entender o que fazem esses jovens, o que pretendem do mundo e de seus futuros, sem deixar de lado a sua relação com o consumo, por onde giram as relações capitalistas.

Na tentativa de categorizar alguns elementos pertinentes às gerações mais recentes, traçamos o quadro abaixo:

Recentes pesquisas sobre os jovens, Juventudes e o Ensino Médio, do Instituto Faz Sentido, e a recente pesquisa da empresa BOX 1824/Mckinsey & Company, levantam importantes questões sobre o comportamento dos jovens da atualidade, suas vidas, seu olhar e suas atitudes. O desejo de inserção, de visibilidade e de protagonismo se mostram presentes em ambas pesquisas, assim como a necessidade de interação entre os diversos setores da sociedade. E ainda: a interação e convivência entre esses jovens e os profissionais nas relações de trabalho, geralmente desafiadoras para todos os lados, como diz Manuela:

“… A geração X, como a do pós-guerra, é aquela que lutou muito e aguentou trabalhos nem tão bons para dar melhor vida aos filhos, além de vestir a camisa e ser mais obediente aos superiores. Já a Y, nascida nos anos 80, deu valor ao status, a cargos de liderança e a dinheiro, mas não aceitava tudo, embora respeitasse as hierarquias. A geração Z, por sua vez, busca a satisfação. Ela pode trabalhar 14 horas do dia, mas precisa estar engajada. Querem se envolver em um trabalho em que acreditam e ter sua submissão conquistada” — resume Manoela Costa, gerente executiva da Page Talent, especialista de recrutamento de trainee e estágio (https://oglobo.globo.com/economia/geracao-chega-ao-mercado-de-trabalho-muda-vinculos-21437405).

Um aspecto que se destaca na vida do jovem de hoje é a relação trabalho e vida pessoal, hoje considerada uma coisa só, uma vez que esses jovens se engajam em diversas causas e estas integram suas vidas, seja no trabalho, seja nas suas relações sociais. Nesse sentido, o futurista David Baker, da School of Life comenta:

“… Amamos buscar um “equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, mas esse projeto frequentemente parece fracassar. Quem sabe avanços na tecnologia finalmente nos darão uma chance de reduzir a importância do trabalho em nossas vidas e abrir espaço para algumas das muitas outras atividades das quais os seres humanos são brilhantemente capazes.”

Os estudos sobre juventudes e sobre gerações são indispensáveis para todos aqueles que lidam com a educação e com o mundo do trabalho, porque atualizam  as questões trazidas pelos jovens deste tempo presente, mobiliza habilidades de resiliência, comunicação, empatia e exige de  todos o exercício do respeito e da convivência com grupos plurais e complexos.

Assistam ao vídeo da Box1824: https://www.youtube.com/watch?v=Jr1pgfJpgWk&feature=youtu.be