Gerações, intergerações – juntas e misturadas

Gerações, intergerações – juntas e misturadas

Gerações? Quem são elas? Um estado de espírito?

As gerações são grupos sociais que vivem experiências num mesmo tempo histórico, se diferenciam umas das outras em relação às suas inserções sociais, oportunidades, valores, afinidades, costumes, modos de sentir e de perceber a sociedade. Trata-se, portanto, de um fenômeno cultural, cronológico, e econômico.

Em torno dessas considerações, no entanto, Borges e Magalhaes (2011) citam o sociólogo Mannheim (1982), que destaca “que nem todas as pessoas de uma mesma geração partilham das mesmas experiências somente porque ocupam uma posição comum na dimensão histórica do processo social – dependem também, obviamente, da classe social, do gênero e da raça a que pertencem.”

Papel social das gerações? O que elas fazem?

As gerações constroem e transmitem conhecimentos adquiridos através de suas experiências e isso, é papel social, ou seja, um legado, que está organizado na maneira como estas gerações se relacionam com a hierarquia, no âmbito social.

Conflitos? Sem conflitos?

A marca de cada geração não se dá sem tensões, pelo contrário, os conflitos entre gerações existem porque nem todos os grupos se identificam com os mesmos sentidos de vida e elas têm expectativas diferenciadas.

Por outro lado, a adesão a comportamentos e estilos de vida inspirados nos jovens faz com que as gerações mais velhas convivam mais tranquilamente com os valores desse grupo social, marcando as relações intergeracionais.

Jovens? Todos querem ser jovens?

Com a globalização, a aceleração das mudanças no mundo e o avanço da tecnologia, o mercado consumidor tem o público jovem como um grande potencial de consumo.

O espírito jovem passou a ser um ideal de comportamento para todas as idades, a chamada teenagerização  (teenager, palavra inglesa que se refere a pessoas de 13 a 19 anos) ou seja, a vontade de todos serem jovens, de se espelharem nesse modelo, no modo de se vestir, falar, comportar, usar a tecnologia.

Nova lógica? Inversão?

Em decorrência dessas transformações, o público jovem passou a ser a referência para os comportamentos e com isso, as relações entre as gerações se aproximaram e inverteram a lógica convencional, na qual os mais velhos transmitem os conhecimentos aos mais novos.

Indiscriminação de papeis?

Essa mudança de paradigma em que os jovens e os não tão jovens estão misturados nos diversos espaços sociais depara-se, em muitas situações, com a dificuldade de identificação de papeis, pois todos se parecem iguais, uma homogeneização cultural.

Juntos e misturados?

No entanto, as experiências das gerações mais velhas e das mais novas, avós, filhos e netos, são distintas, têm posicionamentos diferenciados. Baseado no estudo de Borges e Magalhaes (2011), o que se conclui é que há uma coexistência de valores e uma flexibilidade de estilos de vida inspirados nas juventudes situadas na contemporaneidade.

Juventudes no plural?

Juventude passa a ser um modo de ver ou viver a vida, de fazer escolhas, de se posicionar diante de fatos políticos ou culturais. Podemos dizer, então, que neste momento em que temos diversas gerações convivendo e trocando experiências, essas trocas passam a criar mais possibilidades e interações, levando a um crescimento conjunto, contudo, com cada uma delas representando experiências de seus tempos.