Donas da Rua: “Tire os aventais das personagens mães”

Donas da Rua: “Tire os aventais das personagens mães”

No Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, 19 de novembro, começamos o dia juntas com o Sebrae Delas, que formatou um Webinar incrível, com mulheres que, com mais ou com menos possibilidades, precisaram descobrir como conquistar seus espaços.

Para começar, as primeiras feras: Luíza Helena Trajano, do Magazine Luíza e co-fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, Tania Cosentino – CEO da Microsoft Brasil; Mônica Sousa – Diretora Executiva Mauricio de Sousa Produções; Bielo Pereira – Apresentadora GNT, Empresária e influenciadora digital; Caroline Moreira – Fundadora Negras Plurais; Ana Fontes – Fundadora Rede Mulher Empreendedora, e a participação e mediação da Renata Malheiros – do Sebrae Delas.

Luíza Trajano abre o painel Lideranças. Referência no empreendedorismo feminino, diz: “Por muito tempo as gestões eram muito mais mecânicas, igual a um relógio, as pessoas eram vistas como uma peça da engrenagem. Muita coisa mudou, as empresas precisam entender que tudo é muito mais orgânico agora.”

Hoje, afinal, precisamos entender que nossa vida pessoal e a profissional fazem parte de tudo isso. E ela continua: “Acredite no Brasil, não tenha medo de errar, mas faça acontecer. Precisamos entrar na fase de transformação, o Brasil já está cheio de diagnósticos. Faça parte de Redes de Mulheres. Procure uma coisa que você tenha paixão por fazer. Tenha sempre um propósito. O lucro é importante, sim! Muitas vezes abri mão do lucro pelo propósito, no momento parecia que eu estava perdendo, mas depois via muito. Acredite em você, acredite no seu negócio e acredite no Brasil”.

Monica Sousa, da Maurício de Souza produções, falou um pouco sobre o projeto Donas da Rua, que ajuda meninas a se fortalecerem e compreenderem o quanto podem chegar aonde quiserem. Comentou sobre como crescemos imersas num mundo em que o homem sempre era a referência de poder, de empreendedorismo, a imagem do “chefe da casa” e como isso se refletia até mesmo nas histórias em quadrinhos e nas de super heróis.

Aprimorar a habilidade de ouvir, unida com a humildade e a capacidade de realizar mudanças, nos ajuda a aprender como fazer melhor por um mundo mais diverso e inclusivo. Mônica conta que um dia, discutindo com a equipe sobre como poderia fazer as mulheres se sentirem mais representadas nos quadrinhos da Turma, ouviu “tire os aventais das personagens mães!”

Na maioria das vezes a solução é mais simples do que a gente imagina. E a mudança pode trazer resultados inversamente proporcionais, positivas.

Mônica conta como ela mesma, filha do criador da Turma da Mônica, teve que lutar pelo seu lugar, desde a criação da personagem com o seu nome, até o lançamento da primeira lojinha da Mônica, quando, então, ingressou como vendedora.

Monica traz, também, algumas forças que muitas vezes ignoramos e dá suas “dicas de ouro”: “Acredite em você mesma, que você é capaz – mesmo que alguém diga que não, nunca desista; mas não queira ser perfeita em tudo, tenha amor pelo que você faz e lute pelo seu propósito.”

Ana Fontes, da RME – Rede Mulher Empreendedora, reforçou: “Não tenha medo de errar. Temos aqui um lema: Erre rápido e comece de novo, pois errar faz parte, mas não insista no erro.”

Foi difícil selecionar algumas das “Regras de Ouro” que elas trouxeram para nos inspirar!

“Crie elos com as pessoas, elos de conexão real. Sozinhas não vamos chegar em lugar nenhum”, disse Carolina Moreira, fundadora do Negras Plurais.

Que encontro!

Tânia Consentino, falou sobre sua trajetória e nos lembrou que precisamos exercitar nosso protagonismo todos os dias: “Se eu não fosse a protagonista da minha carreira, não teria chegado até aqui.”

Ao apresentar a Bielo Pereira, uma super liderança no mundo digital, mulher trans, também protagonista de sua trajetória, Renata Malheiros, do Sebrae, perguntou: “O que a Bielo de hoje diria para a Bielo do passado?” Logo segui por outra questão muito importante, mas que muitas empresas estão começando a entender somente agora: “Por que diversidade importa, por que diversidade tem a ver com inovação, e por que inovação está ligada à competitividade, que, por sua vez, leva a mais negócios?”

“Primeiro”, começa Bielo, “invista em você mesma, invista em seu sonho, seja sua maior investidora. Se planeje, mas esteja aberta para o novo e seja você mesma, genuína o tempo todo, se pergunte ‘Isso que estou fazendo nesse caminho é quem eu sou? Estou perdendo a minha essência?’ Pois, depois, a primeira coisa que vão falar é que o que você conquistou foi de uma hora para a outra.”

“A gente precisa entender que diversidade não é só ter o diferente ali. É verdadeiramente incluir. A base da nossa construção de pensamentos, (e assim) nossos processos seletivos, estão enraizados dos nossos preconceitos. Quando eu entendi que quem tem que se moldar são as empresas, (senti que) precisava criar algo, mudar esse mindset (modo de pensar), de modo que as empresas entendam onde estão errando, como absorver essas pessoas, como fazer para bem receber seus colaboradores”, diz Bielo.

Num mundo em que movimentos como “Black Lives Matter” ainda são tão urgentes e que não podem ser uma luta a partir, apenas, de um acontecimento, ou por uma data comemorativa, como o “20 de novembro” – Dia da Consciência Negra, a Educação precisa ser vista como acessível, propagadora da cultura e o maior valor da nossa sociedade.

“As pessoas têm que aprender a se informar para não confundir, por exemplo, o que é preconceito e discriminação. O conhecimento é passivo, você tem que ir até ele”, fecha Bielo, lindamente.

Um dia , ainda no modelo remoto, devido aos cuidados necessários contra o Covid-19, mas que faz a gente se sentir super abraçada para seguir adiante!

Mulheres Empreendedoras, protagonistas, inspiradoras, contem pra gente o que vocês já estão fazendo pelo seu propósito?