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20 de novembro: A data representa a luta da comunidade negra no dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes negros do Brasil. Ainda há muita luta pela frente, mas já temos algumas conquistas para comemorar: Ainda que não seja um número fiel à representatividade desta população no país, pela primeira vez temos mais pretos e pardos em nossas universidades públicas. No entanto, para reduzir a desigualdade muitas outras realidades precisam mudar, pois a taxa de analfabetismo, por exemplo, de 9,1% para a população negra, em relação à 3,90% para a branca, é apenas uma dessas referências. Violência, racismo, precariedade nas questões de moradia, desigualdade salarial, são algumas outras. O IBGE traz os dados, mas a verdadeira mudança perpassa a cultura pela diversidade, que depende de cada um de nós. Vamos em frente! Parar, nunca!

 

https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/11/pretos-e-pardos-sao-maioria-nas-universidades-publicas-no-brasil-diz-ibge.shtml

 

 

Há momentos na vida que sentimos necessidade e desejo de mudar alguma coisa em nós. Não apenas mudar de lugar, de trabalho, conhecer novos amigos ou trocar os objetos de lugar. Algo mais interno, por dentro… um sentimento, um modo de encarar a vida, ou adquirir uma habilidade ainda pouco frequente no nosso repertório.

Estamos falando de algo verdadeiro, que tem a ver com algo que nos mobilize, nos faça feliz. Por isso, esse desejo não nasce de repente, ele vem sendo germinado, aparece com frequência na nossa mente, não é uma coisa passageira. Geralmente decorre de situações com as quais estamos esbarrando no cotidiano, nos defrontando… parece discreto, porém, é algo inescapável!

No entanto, quando a gente se dá conta, não basta tomar a decisão “vou mudar”, porque isso não garante a concretização da mudança como se fosse algo fácil e rápido! É lento… processual, e possível!

A tal motivação, é essencial para mobilizar e trilhar os caminhos, começa imperceptível, mas precisa ser percebida como um ponto de partida e ir além. Os esportistas são bons exemplos para observarmos esses pequenos movimentos e até onde podem nos fazer chegar! Eles usam da persistência, da tenacidade – habilidades necessárias para compreender que precisam começar aos poucos e continuar buscando resultados e desempenho cada vez melhores.

Nesse sentido, o atleta Joel Moraes, relata sua experiência no livro: Esteja, viva, permaneça 100% presente:

Por isso, uma grande lição que tive como atleta é não depender apenas de motivação. Ela não é confiável. Ninguém precisa esperar até se sentir cheio de vontade para começar alguma coisa – nem para continuar. Aja imediata e regularmente… que a motivação virá. Mas também não dependa dela para continuar…

Joel comenta também da importância de valorizar os pequenos passos, são eles que nos impulsionam a seguir em frente. Veja os conselhos desse atleta:

Em vez de decretar “eu quero isso”, reflita se está dando um passo nessa direção – um passo pequeno por vez e de maneira frequente, e não um passo enorme, que cansa por exigir muito esforço e energia num curto espaço de tempo. Em vez de querer várias coisas por dia, coloque seu foco em apenas uma.

Outro lado importante para sustentar o efeito dos pequenos passos é o apoio dos amigos, ou seja, a gente deve evitar estar sozinho/a nessa tarefa. É essencial participar de uma comunidade de pessoas que estejam investindo na mesma empreitada que você, de modo que seja possível acompanhar os passos de cada um e se sentir parte dos avanços, erros e recuos, como elementos naturais desse processo.

Sobre este aspecto, Zygmunt Bauman, faz o questionamento a seguir

Como se pode lutar contra as adversidades do destino sozinho, sem a ajuda de amigos fiéis e dedicados, sem um companheiro de vida, pronto para compartilhar os altos e baixos?

Considerando que estamos falando de pessoas, seres humanos, e não de máquinas programáveis, conseguimos entender esse movimento em sua complexidade, pois isso precisa ser trabalhado suavemente em nossas vidas. Segundo o professor José Moran, precisamos

…dar-nos apoio incondicional mesmo quando retroagimos, O apoio afetivo é fundamental para não esmorecer. E retomar sempre nosso processo de mudança, como um lento cerco que fazemos às muralhas com que nos defendemos…

E nesse cenário de viradas, buscas, renovação, reinvenção de nós mesmos, encontramos a força motriz para viver o Ikigai (em japonês: 生き甲斐), que os japoneses caracterizam como a busca de si mesmo, a razão da existência, que é diferente para cada pessoa.

Os processos de transformação sempre causam impactos na vida das pessoas e na sociedade – mudam rotinas, costumes, culturas. Geram movimentos de aproximação e de rejeição e, assim, aos poucos, o deslumbramento, o medo, a angústia vão dando lugar ao discernimento, ao relativismo e aos posicionamentos críticos.

Acompanhamos esse movimento pendular em relação à tecnologia digital, destacando as facilidades que elas promovem, a abundância de recursos e as infinitas possibilidades de acessos e experiências rumo ao conhecimento. Ao mesmo tempo, nos deparamos com aspectos transgressores, crimes cibernéticos, vícios, doenças decorrentes dos seus usos em excesso.

Todavia, é preciso considerar que a transformação digital é fruto do avanço do conhecimento científico, e do uso de metodologias científicas tão importantes para a civilização humana. Tais avanços tornaram a vida humana mais saudável e com qualidade, como a diminuição da desnutrição e morte precoce de crianças e adultos, já possíveis em algumas localidades, assim como o combate às doenças através da penicilina, criação de novos antibióticos, vacinas, vitaminas sintéticas, que ao longo do tempo, foram capazes de ampliar o tempo de vida das pessoas, com mais qualidade. Hoje um tema bastante recorrente é a longevidade, com as pessoas vivendo 20 anos a mais, mudando as estruturas familiares e proporcionando novas oportunidades de negócios, resultado de todas essas conquistas.

Seja no mundo corporativo, na área da saúde, da educação ou do entretenimento, os processos digitais e o uso da inteligência artificial cresce cada vez mais a partir da captação e análise de dados. O que vem nos impactando é a rapidez com que as transformações digitais estão mudando nossos costumes, rotinas, culturas, numa velocidade sem precedentes. Ficamos assustados com o controle de nossa vida pessoal pelas redes sociais e pelas ferramentas de leitura de dados aí envolvidas. Também acompanhamos a chegada dos robôs, os chatbots, em nossos acessos bancários, em sites e em diversos serviços digitais ou telefônicos. Os chatbots, por exemplo, visam otimizar a relação com os clientes e, embora sejam soluções tecnológicas, os especialistas buscam cada vez mais a humanização dessas interações. Enquanto isso, novas legislações começam a regular a privacidade, visando adequar os processos ao novo contexto de mundo e dos usuários, como a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LEI Nº 13.709, DE 14 DE AGOSTO DE 2018..

Com tudo isso, cresce a discussão de que muitas profissões vão se extinguir em função da substituição do trabalho mecânico, de baixa qualificação, pelas máquinas (computadores). E até mesmo outras profissões mais especializadas como as da medicina, do direito, da contabilidade, estão avançando exponencialmente em soluções digitais muito mais específicas e otimizadas.

Acompanhamos, ainda, a disputa geoeconômica e política de lideranças locais e globais em torno da sustentabilidade do planeta, enquanto surgem novas soluções na área da alimentação como carnes feitas de proteína vegetal, como o hambúrguer à base de ervilha, soja e beterraba, da Fazenda Futuro, que busca a qualidade e o sabor original do alimento. As foodtechs, startups de alimentação, já fazem parte de cerca de 3% desse modelo de negócio no Brasil, como demonstra a Revista Época, na matéria A Reinvenção da comida, em sua edição de 1193, de set/2019. Engana-se quem pensa que essas soluções são voltadas apenas para as pessoas vegetarianas ou veganas: “As novas gerações não vão aceitar decisões que não sejam benéficas para toda a sociedade”, diz o presidente da Danone, Emmanuel Faber, em entrevista na mesma edição. Versões orgânicas de marcas tradicionais da empresa já é uma realidade.

Pelas Redes Sociais desfrutamos de uma comunicação cada vez mais ágil, reduzindo distâncias e nos aproximando de pessoas já conhecidas ou outras nem tanto. Arriscamos dizer que a teoria dos 6 graus de separação, que diz que estamos a seis pessoas de quem a gente quiser conhecer no planeta, está reduzida à metade com as inovações que a tecnologia digital nos traz diariamente. Em pouco tempo as redes passaram a ser cada vez mais usadas para dar visibilidade a temas como a preservação dos biomas, a inclusão social, a inclusão de pessoas com deficiência, marcando uma época de valorização da diversidade.

Saturação digital e a volta ao analógico

Contudo, adquirimos tantas informações e contatos que já começamos a viver, também, processos de saturação…

Nesse sentido, alguns profissionais, com o a professora de design da universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), Jenny Odell, defendem um outro modo de viver: ela, por exemplo, propõe que a gente se liberte das curtidas nas redes sociais e dos milhares de aplicativos que favorecem ainda mais o acesso aos nossos dados, para uma volta à conexões mais saudáveis com a comunidade e seu entorno, num estilo mais analógico.

Juntando-se a ela, o psicólogo dinamarquês Svend Brinkman propõe que passemos a consumir menos, numa postura de contenção de nós mesmos, a fim de fazer frente à economia de consumo que provoca um desejo que querer sempre mais, o que leva a um estado de insatisfação permanente. Jenny Odell alerta para a “economia da atenção”, propondo a alternância entre o excesso de foco em nossas atividades e a distração. Se ficarmos muito focados no trabalho e nas tecnologias, tendemos a desprezar a vida social, já o seu oposto, a distração, em excesso, dificulta nosso investimento no trabalho. Ambas precisam ser dosadas.

O outro lado do excesso tem a ver com a “doença da solidão”, frequente em pessoas que têm mais dificuldade nas relações sociais. Essas se utilizam das redes sociais e dos jogos eletrônicos como suporte para interagir com pessoas de forma distanciada e “protegidas”, tornando-as ainda mais isoladas do mundo real. A solidão já tem classificação pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e afeta diretamente aos jovens.

As inovações, e a consequente transformação digital que vem daí, nos trazem ganhos e, também, aspectos que possam ser, em certa medida, perturbadores à nossa saúde pessoal e às nossas relações sociais. Precisamos estar dispostos a reaprender a aprender para vivermos bem e, por que não, ainda melhor, nesta nova era.

O tal caminho do meio vem como uma referência à ética aristotélica, a da virtude da coragem, que preconiza usarmos o grau e a intensidade corretos em todas as nossas escolhas, de acordo com as nossas possibilidades. E, assim, podermos usufruir de todas essas mudanças de modo a nos fortalecermos e sermos verdadeiros protagonistas do mundo que queremos para todos.

 

 

“Tudo se desestrutura pra você se estruturar”  – Alento, Marcelo Jeneci.

Esse é o tempo da travessia, aquilo que já foi um dia e agora não é mais a mesma coisa; não tem o mesmo sentido de antes. Saiu do lugar. Desconectou. Perdeu o rumo, ruiu. É o tempo de buscar outro caminho, falar e escutar, pensar, percorrer outros lugares. É tempo de se fazer uma nova viagem, construir outra trajetória, percorrendo outra rota.

A travessia tem a ver com tudo que se conecta com a nossa vida. É se deparar com o futuro vivendo cada fase da transição. A travessia nos envolve em sentimentos ambíguos, de dúvidas, de movimento e de escolha. Ela nos pergunta se queremos ir ou ficar, se queremos nos arriscar ou permaner onde estamos. É aquela busca constante de sentido, de autoconhecimento, de crescimento.

A travessia também é viver períodos de transição como o vestibular, o Enem, sair de casa e ir morar com amigos, romper ou assumir um relacionamento, mudar de cidade, escolher um curso no qual ninguém acredita, conseguir trabalho, ganhar dinheiro, fazer trabalho voluntário na África, assumir a sexualidade de forma plena, tornar-se vegano. É muita coisa!

Mas a travessia vale mais a pena, ainda, quando a gente se alia a pessoas do bem, “com gente fina, elegante e sincera”, como na música Tempos Modernos, do Lulu Santos. Viver a travessia com amigos e familiares queridos, que torcem por nós e nos ajudam a pensar… aqueles que  respeitam o nosso tempo,  falam de suas experiências sem querer decidir o nosso  caminho… Esses nos fortalecem com o seu afeto.

Ao longo da travessia, também erramos, nos arrependemos de um ou outro caminho trilhado, nos deparamos com obstáculos maiores do que podemos superar naquele momento, sentimos medo, decepção, tristeza. Paralisamos!!!

E aí? O que fazer? Que tal se inspirar na música Travessia, de Milton Nascimento, que nos mostra que a vida é muito mais do que o que já foi vivido, tem muitos recomeços? Na retomada, ela segue assim: “Tenho muito que viver. Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer. Já não sonho, hoje faço com o meu braço o meu viver”.

Na travessia, é permitido ir e voltar, recuar, buscar novos caminhos. O importante é poder reconectar-se consigo mesmo, dar-se uma nova chance para recomeçar, valorizando a experiência vivida e buscando inspiração para novas trilhas e rotas.

Nosso projeto Tem Lugar para Mim? está com você em sua travessia, nas Trilhas pelas quais você vai construindo o seu caminho, cada vez mais confiante e entendendo que sempre é possível refazer ou criar novas trilhas.

Por que falar em um Novo Poder? Estamos sempre querendo mudar o estado das coisas, e até fazemos isso muito naturalmente, por vezes. No entanto, vivemos a partir de padrões. E eles estão por toda a parte, inclusive no nosso comportamento e em tudo que nos cerca.

Com a ajuda das Redes Sociais e da tecnologia, cada vez mais, novas formas de comunicação e de engajamento surgem e, à frente delas, as novas gerações vão se tornando protagonistas de de grandes mudanças. E, aí perguntamos novamente: Por que falar em Poder?

Poder ou relações de poder são expressões pouco frequentes nas falas dos jovens, adolescentes, alunos de ensino médio e universitários. São estereótipos que não ocupam muito suas conversas. Não que se desconheçam estas manifestações, muito ao contrário: transitam pelas forças do Velho e do Novo Poder, sem tratá-las de forma explícita. Vivenciam muito mais do que as discutem e de forma cada vez mais crítica e participativa.

Estaríamos tratando de política, de relações de trabalho, do sentido de autoridade? De certa forma, sim, falamos um pouco de tudo isso. Mas numa perspectiva de novas relações e construção de mundo.

Para situar o tema, trouxemos a definição do filósofo britânico Bertrand Russel, segundo a qual, poder é “a capacidade de produzir os efeitos pretendidos”. Isso quer dizer que todas as nossas ações estão carregadas de poder, sejam elas mais ou menos conscientes ou intencionais.

Neste mundo líquido e de incertezas que estamos vivendo, identificamos nas pessoas, grupos e organizações, em níveis local e global, diversas manifestações de poder, sempre na busca de resultados desejados, seja nos campos afetivo, acadêmico, econômico, político, etc

Em relação à nova economia, que é caracterizada pela tecnologia, pela biotecnologia e pelas ações humanas, cada vez mais direcionadas para a criatividade, podemos perceber a coexistência de movimentos, tanto do velho poder, como do novo poder, que são assim caracterizadas pelos estudiosos Jeremy Heimans, Henry Timms, e de novas competências técnicas e socioemocionais.

 

 

No quadro acima podemos perceber que o Velho Poder é evidente em modelos de liderança centrada em uma só autoridade, numa pessoa, no chefe, na instituição e no seu fortalecimento. O Velho Poder funciona de forma hierarquizada, com funções fragmentadas, muitas vezes tornando o trabalho burocratizado e setorizado. São modelos de uma via com pouca ou nenhuma interação externa.

Já os movimentos baseados no Novo Poder, têm como princípio a participação, a capacidade de se realizar a autocrítica, seja nas suas relações pessoais, no trabalho e, principalmente, ao se criarem ações em favor de valores e propósitos coletivos e sustentáveis.

As empresas e organizações que partem dos paradigmas do Novo Poder, sabem da força que têm as conversas sinceras e verdadeiras em torno de seus negócios e da efetividade das ações de mudança, que surgem daí, para a inovação. Por isso, são empresas ágeis, trabalham com equipes entrosadas e focadas em seus propósitos.

Na busca de sobrevivência no mercado, empresas que ainda se utilizam do modelo de gestão do Velho Poder têm se equivocado ao tentar usar a tecnologia e as redes sociais como ferramentas do Novo Poder, porém com o mesmo modelo de trabalho, centralizador, vertical, que promove respostas parciais. Ao contrário de um movimento que se lança numa dinâmica muito mais ampla e transformadora.

Processos de mudanças convivem com forças antagônicas que atuam, por um período, no mesmo momento e espaço. Por isso, concepções de trabalho que utilizam o Velho e o Novo Poder continuarão coexistindo por um tempo.

Mas, os processos de transformação estão atuando e, por isso, não basta ter esperança ou apenas acreditar no poder das multidões. Como afirmam Jeremy Heimans e Henry Timms, o desafio é “redesenhar os sistemas/as estruturas e empoderar as pessoas”, para que atuem no centro de suas empresas de forma ética e comprometida com o bem comum, com as comunidades e com novas lógicas e sentidos de vida.

Nós, da equipe do Tem Lugar para Mim? estamos aqui para construir, juntas com vocês, relações baseadas nesse Novo Poder, compartilhando experiências, conhecimentos e novas formas de trabalho e, assim, construindo relações muito mais vivas e consistentes.

A pausa do meio do ano é rápida, mas dá para recuperar as energias! Desejamos a todos e a todas um ótimo retorno e boas vibrações para o segundo semestre!

 

A hiperconectividade deu origem a novos modelos e novas mentalidades. Como estamos transitando por essas mudanças?

Bertrand Russell define “poder” como “a capacidade de produzir efeitos desejados”. Nesta nova série vamos ver como algumas pessoas estão fazendo para transformar o mundo, cada vez mais complexo, promovendo e inspirando atitudes.